Faz um bom tempo que não escrevo algo pessoal. Parece umas férias de mim. Algo que retomei com intensidade por esses dias. Essa necessidade que tenho de contar histórias. Reais ou não, quero contar todas.
Esitei por uns instantes apenas. Mas as letras se juntavam formando versos na memória. As mãos já não se contralam. Um desejo de me refazer em palavras.
E lá no fundo da gaveta, bem secreto, bem às escondidas, entre camisas e bermudas estava ele. A capa de um vermelho couro ainda brilhava. Peguei com o cuidado de um artesão diante da sua obra. O tesouro das minhas lembranças. Histórias que iam se reinventando, se reagrupando a cada leitura. Fragmentos de poemas, contos de coisas simples, crônicas de uma vida real.
Saudoso de nossas horas rabisco algumas linhas.
Vou contando meus segredos.


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