L E T R A D O S em prosa e verso


11.08.06


O Poder do Discurso

“Mas, o que há, enfim, de tão perigoso no fato de as pessoas falarem e de seus discursos proliferarem indefinidamente? Onde está o perigo?”.

Michel Foucault

 

Ano de eleição. Candidatos com suas propostas, seus discursos invadem nossa casa todos os dias. Estão nos jornais, na televisão, no rádio, por toda parte. Seguros de si apresentam soluções para mudar o Brasil e fazer dele um país digno e justo que segundo eles, nunca foi. O discurso já é conhecido de todos. Torna-se repetitivo. Propostas para a educação, para saúde e segurança estão sempre na pauta. “São as áreas deficientes”.

Mas não pense você que o discurso é apenas aquilo que se manifesta, pois ele está longe de ser o elemento transparente ou neutro. Na política, por exemplo, exerce de modo privilegiado algum de seus mais temíveis poderes.

A instância do discurso é-nos apresentada por Michel Foucault, na Ordem do Discurso, enquanto resultado de diversos sistemas de controlo da palavra. O filósofo afirma haver uma relação entre o discurso e o poder, resultado das mais diversas práticas restritivas da palavra: sejam aquelas que limitam o que pode ser dito, o que pode ser dito de verdadeiro, o que pode ser dito de razoável, operando uma espécie de bloqueio no murmúrio anônimo, limitando os sujeitos falantes.

Se o discurso é uma prática social, a prática do discurso não poderá ser entendida separadamente das práticas que não são discursivas, pois a palavra é alvo do exercício de poderes que a controlam; os poderes não incidem apenas sobre os corpos, mas também sobre as palavras. E porque sucederá isso? Ao que parece, pela suspeita de que há na atividade discursiva «poderes e perigos que imaginamos mal» (Foucault) e porque o discurso é também objeto do desejo, “o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas é aquilo pelo qual e com o qual se luta, (Ibidem).

Fiquemos atentos, caros leitores, sobre o jogo das relações sociais, enfatizando o contraste entre a essência e a aparência do discurso, o que é dito é realmente isso? Muitas vezes o discurso esconde uma vontade de poder provocado por um sistema social regido pela falta de valores onde o homem deixa de ser o centro e passa a ser parte do sistema.

Sejamos bons observadores e bons críticos!

Escrito por M@rciº às 16h44
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07.08.06


N O I T E

noite.jpg

A noite voltou sem estrelas, sem lua, sem poesia.

O poeta solitário olha da janela procurando inspiração. “Tão diferente meu Deus!”.

Os versos se perdem, não se combinam, não rimam.

Escuridão noturna, desilusão diurna. O amor que se foi com o dia.

Ele esvazia

 a última taça do vinho que já não tem mais o mesmo gosto

“Vinho tinto de sangue”

A vida amarga nas lembranças boas

Talvez eternas.

Rabisca, apaga, rabisca!

Entende o sentido da borracha que vai apagando, apagando, apagando.... 

Amassa o papel e sorri.

 

Que felicidade é essa que durou tão pouco?

 

Foto tirada da net : ferrus.blogs.sapo.

Escrito por M@rciº às 08h55
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05.08.06


Ausência

 

Queria entender essa tristeza que vai invadindo o peito a cada despedida tua.

Essa ausência se construindo em teus passos, em teus acenos de até mais.

Fico mudo, desconcertado. Ausente de minha realidade.

O dia já não é o mesmo sem você. Estou preso e condicionado à tua noite.

Por isso vou bebendo as horas, devorando o dia

até que ela chegue e eu possa voltar a ser completo.

Minha felicidade agora é você!

Escrito por M@rciº às 09h40
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01.08.06


Amigos, Cida e Eu estamos com saudades!! As férias estão acabando...já já a gente volta! Adoro isso aki!! Xêro! Bjs e abraços!!

"O preço do feijão

não cabe no poema. O preço do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão"

(Ferreira Gullar)

NÃO RESISTI!! Até breve!!

Escrito por M@rciº às 18h11
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